terça-feira, 3 de abril de 2012

Grampo, grampeadores e grampeados

Chegou a hora de celebrar mais uma expo por aqui. "Grampo, grampeadores e grampeados" mostra uma coleção de grampeadores, alguns, parte do acervo do futuro Museu do Cotidiano _um obrigada muito especial para o querido Antônio Carlos Figueiredo, nosso super objeteiro! _ outros, cedidos por amigos, e uma boa parte garimpada em papelarias e mais papelarias da cidade. Sobre os grampeados, são alguns dos nomes mais quentes da cena criativa jovem brasileira, nomes selecionados a dedo para compor um set de 5 exposições. A conceituação das expos aparece em pranchas ilustrativas dentro da Grampo Inbox, uma caixa desenhada especialmente para a ocasião e que contém design de produto, arquitetura, artes visuais, cênicas, moda. Planejamos começar a exibi-las no final do segundo semestre, época em que a cidade sediará a Bienal Internacional de Design. Até lá outros conteúdos incríveis já estão em vista para nossa programação e durante o período desta exposição estamos preparando 3 apresentações ao vivo: música + vídeo, teatro + vídeo, circo + vídeo.


Para "abrir os trabalhos" com chave de ouro, a primeira delas acontece já na abertura deste sábado. Um pocket show de ninguém mais ninguém menos que a deliciosa banda Dead Lover's Twisted Heart _ referência na cena indie brasileira, uma das mais bacanas surgidas recentemente. Nosso tablado vai virar palco!


Assim segue a Grampo em seu exercício de curadoria. Experimentando, reunindo e articulando alguns dos nomes e trabalhos mais preciosos que temos por aí. Venha, seja nosso convidado sempre.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Bh, por mim, pra Wish

Quando ouvi falar pela primeira vez sobre a revista Wish Casa, há pouco mais de um ano, em Londres, ela ainda era apenas um boneco ( protótipo do projeto gráfico). Um boneco muito muito elegante, diga-se de passagem, que logo me remeteu à escola gráfica alemã. Super bauhausiano, refinado até a medula, assinado pela mega talentosa Winkreative ( a frente do branding de Stella McCartney, Swiss Air, B & B Italia, entre muitos outros ). E os comentários davam conta de que tratava-se de um projeto editorial brasileiro, ambicioso, que proporia uma revista realmente diferenciada entre as publicações que mixam arquitetura, decoração, design e arte no país. Pouco depois a edição número 1 saiu, inaugurando a premissa de mostrar o supra sumo de uma brasilidade autêntica num verdadeiro deleite estético. Por todos esses motivos, não poderia ter ficado mais feliz ao receber o convite para contar algumas preciosidades que temos aqui em Minas, na seção City Tour, de Belo Horizonte, após cicerones como Pink Wainer em São Paulo, Daniela Helayel em Londres, Charlô Whately em Paris. 
Na matéria, assino um texto com meu ponto de vista sobre a cidade, indico uma lista de 10 lugares que amo, conto em primeira mão novidades sobre a Grampo, e em seguida a Wish Casa dá suas indicações. Um mapa lindo ao final mostra o caminho das pedras coloridas! Convido você então a curtir o passeio que tracei com muito prazer. Descubra tudinho na edição número 6 que acaba de sair.



capa da edição número 6


matéria está na seção GPS


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sábado, 24 de dezembro de 2011

ASAS na Grampo

Um trabalho incrível, pioneiro, premiado e no qual acredito muito. Grampeado aqui desde seu primeiro lançamento de coleção, o ASAS_Artesanato Solidário do Aglomerado da Serra, encanta por sua história e trabalho competente, e por isso quis fechar este ano com uma exposição e loja temporária deles ( todo o faturamento de vendas para o grupo). A parte fixa da mostra apresentou todos os primeiros protótipos de peças, além de outras como flipbook com imagens tiradas na favela e objetos luminosos com fotos de pinhole. O título "Asas feitas por mãos: o trabalho do ASAS" diz sobre a capacidade de transcender uma realidade difícil por outra desejada, a partir de objetos realizados pelas mãos de seus  integrantes. Publico abaixo o texto de abertura da exposição para quem quiser entender meu ponto de vista sobre o trabalho, que tomei a liberdade de classificar como design artesanal. Além dele, seguem algumas fotos da exposição e outras feitas por Julie Arantes no ateliê das Aglomeradas.
A Grampo aproveita para desejar a todos um natal maravilhoso e um 2012 sensacional! 


" Exposição Asas feitas por mãos: o trabalho do Artesanato Solidário do Aglomerado da Serra
Iniciado em 2007 como projeto de extensão universitária, com atuação na comunidade em questão, o projeto ASAS merece cada vez mais visibilidade. Pioneiro, competente, premiado, insere-se no limite entre design e artesanato, produzindo objetos com identidade extremamente contemporânea, calcada no universo imediato e raízes de seus integrantes. As técnicas de produção manuais utilizadas _cada vez mais raras e preciosas em tempos de “made in China”_ poderiam definir o trabalho como artesanato, mas a compreensão da necessidade de se criar objetos utilitários que atendam à demandas de usuários, a utilização de técnicas de padronização dos produtos, o cuidado ambiental no uso de materiais, as formas de divulgação e marketing, o aproxima muito do design.
 Baseado em um conceito de que a capacidade de produção artística é inerente a todo ser humano, o processo proposto inicia-se com a sensibilização dos integrantes para as artes, e em seguida, o entendimento do universo que os cerca, para posterior interpretação dos elementos que se desdobram nas imagens e formas. Depois, a partir da soma das interpretações individuais, singulares de cada participante, surge uma produção coletiva, solidarizada, que então se sobrepõe.
Três linhas são desenvolvidas atualmente, desde a criação de cada peça. O ateliê Aglomeradas, o primeiro a ser iniciado, em 2007, já se desdobra em uma maior gama de produtos, como almofadas, lenços, toys, aventais, feitos com técnicas de costura e estamparia. Há ainda uma linha de papelaria com estamparia; a oficina Bambu, iniciada em 2010, desenvolve utensílios neste material utilizando técnicas de cortes, encaixes e fixações específicas, em cabideiros e luminárias que remetem aos gravetos entrelaçados de ninhos, aglomerações do material; Já a linha mais recente, Modalaje, que teve começo neste ano, produz em seu ateliê roupas, tendo como base a costura de retalhos de sobras da indústria. A referência é a estética patchwork, fruto da união de retalhos para composição de um todo.
Nos objetos produzidos por essas três linhas distintas percebe-se um mínimo denominador comum estético, que são desdobramentos das sobreposições, emendas e heterogeneidade características das apropriações de espaço da favela, onde as demandas da vida cotidiana se materializam em soluções intrincadas, criativas, extremamente inventivas, resultado da falta de recursos, e por isso, tão ricas. Uma assinatura clara, forte, do grupo, aparece então em cada produto. O exemplo da estamparia das Aglomeradas é emblemático disto. Um vasto conteúdo imagético, a partir de elementos como becos, lajes, territórios, gatos-de-luz, gansos, asfalto, é transposto para as telas de estamparia. Estas permitem a repetição das imagens nos produtos, impregnando-os com a identidade do ASAS de maneira irrevogável.
Por fim, para além da estética, na ética do grupo, percebe-se um sério cuidado com as dimensões humanas. A formação artística e crítica de cada integrante permite que eles se constituam como agentes multiplicadores, que podem transmitir a outros da comunidade os ofícios aprendidos. Um conceito fundamental na tecnologia social de ponta. E dos objetos produzidos dentro desta metodologia vem o título escolhido para esta exposição. “ASAS feitas por mãos” diz sobre a possibilidade de transcendência de uma realidade para outra desejada, a partir dos objetos realizados por essas mãos.
Seja bem vindo!

Belo Horizonte, 

Manoela Beneti_17 de dezembro de 2011"



fotos da exposição: Manoela Beneti










fotos dos produtos e fotos no ateliê das Aglomeradas: Julie Arantes



  









Ficha técnica do ASAS_Artesanato Solidário do Aglomerado da Serra   .  Programa de extensão da universidade Fumec apoiado pelo programa UNISOL_Universidade Solidária      
AGLOMERADAS: 
Aline Magalhães
Elisa Maria
Maria Madalena Batista
Schirley Maria Araújo
Sônia Leandro da Silva
Suzana Marília dos Anjos Oliveira
MODALAJE:
Idair Maria de Castro
Leni Maria Jaques
Maria Luzia de Souza
Marlene Alves dos Santos
e as novatas Marli e Lívia
BAMBU:
André Martins Dias
Arnaldo Soares
Fernando de Jesus
Jefferson Antonio da Silva
Emerson Vieira dos Santos
Wagner Fernandes
Coordenação geral:
Natacha Rena
Coordenação executiva:
Bruno Oliveira
ASAS_aglomeradas
Professora Coordenadora:
Natacha Rena
Alunos bolsistas e voluntários:
Rafo Barbosa (Design Gráfico)
Letícia Gaio (Design de Moda)
Déborah Pedercini (Design de Moda)
Bárbara Lima (Design Gráfico)
Marina Lerbach (Design de Produto)
ASAS_modalaje
Professora Coordenadora:
Natacha Rena
Alunas bolsistas:
Julia de Assis Barbosa Soares (Design de Moda)
Raíssa Gomes Batista (Design de Moda)
Fernanda Fialho Vieira (Design de Moda)
Larissa Duarte (Design de Moda)
ASAS_bambu
Professor Coordenador:
Flávio Negrão
Alunos bolsistas e volunários:
Danilo Evandro de Pina Silva (Arquitetura)
Guilherme Bruno Alves (Design de Produto)
Isabelle Verona (Design de produto)
Ricardo Gois Santos (Engenharia Ambiental)
Talita Lessa (Arquitetura)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Convite para abertura de exposição do ASAS

O design artesanal do ASAS, Artesanato Solidário do Aglomerado da Serra, será tema da nova exposição da Grampo, com abertura neste sábado, dia 17. Além do acervo fixo da exposição, toda a coleção mais recente do grupo estará a venda em uma loja* temporária (*todo o faturamento será do ASAS), com as peças penduradas, voando pelo espaço. 
Venha se surpreender com a história, o processo de produção e a identidade da marca. Gato de luz, ganso no asfalto, cercas, becos, lajes, territórios, são alguns dos temas estampados em objetos como almofadas, lenços, cadernos, toys. São três linhas de trabalho desenvolvidas no projeto_ Aglomeradas, Bambu e Modalaje, sob coordenação de Natacha Rena, da Universidade Fumec. Em cartaz só até dia 24/12!


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Vazio registrado

Esta nota pretende registrar brevemente a exposição "O Vazio Necessário", exibida aqui entre os dias 14 de setembro e 30 de novembro. Seguem algumas fotos da montagem e a lista de objetos e autores das peças, com as identificações na sequência expositiva para compor uma panorâmica. Foi um prazer enorme realizar essa narrativa composta por trabalhos de Fernanda Plinky, Ivar Siewers, Julia Valle, Nami Wakabayashi, Patrícia Naves, Rogério Fernandes, entre outros. E se quiser saber minha explicação para a curadoria, peça por peça, basta clicar aqui e assistir a conversa transmitida via ustream, em torno do "Vazio e o bem viver", da qual participei a convite da Estação do Saber, no shopping Pátio Savassi.
Uma nova narrativa, meu novo xodó, já está a caminho. A abertura acontecerá dia 17, aguardem detalhes!


DIEGO VELÁZQUEZ
(1599-1660)
AS MENINAS, 1656
reprodução. impressão colorida sobre papel.
original no Museu do Prado, Madrid

PABLO PICASSO
(1881-1973)
AS MENINAS, 1957
conjunto de reproduções. impressão sobre papel
original no Museu Picasso, Barcelona

ROGÉRIO FERNANDES
(1969)
MEU VAZIO É TUDO MENOS O NADA, 2011
tinta serigráfica sobre tela. dimensão 300x130cm

FERNANDA PLINKY
(1984)
CANTO DA MÚSICA AMARILLI, MIA BELLA
voz

GIULIO CACCINI
(1551-1618)
 MÚSICA AMARILLI, MIA BELLA, 1601
partitura 1 _música original
partitura 2_música com improvisações da cantora Fernanda Plinky

JULIA VALLE
(1983)
VESTIDO W.O.R.K, COLEÇÃO TNWMLC , 2010-2011
tecido

NAMI WAKABAYASHI
(1969)
ANEL VITÓRIA RÉGIA, 2005
prata, prata oxidada e diamante

NAMI WAKABAYASHI
(1969)
ANEL DUO, 2005
prata e quartzo

RAFIC FARAH
(1948)
MESA KAEKO,1989
(base para tampo em vidro)
aço carbono e tinta epóxi

GUIMARÃES ROSA
(1908-1967)
LIVRO GRANDE SERTÃO VEREDAS, 1956

PHILLIPPE PETIT
(1949)
TRAVESSIA ENTRE AS TORRES GÊMEAS, 1974
foto retirada da internet: autor desconhecido

PATRÍCIA NAVES
(1977)
BANQUINHO TONTON, 2007
compensado, madeira e laca

MANOELA BENETI
(1979)
PROJETO PARA SEDE DA ASMARE, 2002
maquete e pranchas de apresentação

ASMARE_Associação dos catadores de papel,
 papelão e material reciclável
(1990)
TRABALHO DE VALOR INESTIMÁVEL
pessoas 

IVAR SIEWERS
(1956)
MESA STELLA , 2006
(base para tampo em vidro)
aço carbono e tinta epóxi



























Fotos: Manoela Beneti




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Freud designer

Soube da pérola afirmada no título desta nota lendo a revista Serrote ( "Serrote para abrir cabeças", como essa publicação do Instituto Moreira Salles se intitula. Adorei!). Uma das matérias da edição número 8 conta a saga do pai da psicanálise ao ter que deixar sua casa em Viena e se mudar para Londres, oprimido pelo nazismo. O ano era 1938 e ele, já autor de toda sua vasta obra, e portanto, figura muito proeminente, permitiu que o fotógrafo Edmund Engelman registrasse minuciosamente sua casa. A casa onde nasceu a psicanálise estaria intacta pela última vez e Freud morreria no ano seguinte em Londres, vítima do câncer que o consumia há bastante tempo.
Muitos anos mais tarde, em 2000, o artista americano Robert Longo criou o "Ciclo Freud", uma série de desenhos à carvão, baseada nas fotos, trazendo novamente a gravidade daquele terrível momento histórico. 28 desenhos enormes ( muitos deles medem 244x152cm) e realistas transmitem a melancolia daquele tempo, ainda que apenas mostrando os prosaicos ambientes e objeto daquela casa, paralisados, sem vida por perto. Curiosamente, entre os objetos, há uma cadeira criada por Freud e sua filha Anna, que discutiram todos os detalhes e anseios para a peça e entregaram a um arquiteto conhecido da família a responsabilidade de acompanhar a execução, realizada por um marceneiro.
Do exemplo de Freud e Anna, podemos verificar o quanto design nasce naturalmente das demandas da vida diária, o quanto desejamos objetos que atendam aos nossos anseios estéticos, funcionais e ergonômicos. Quem nunca imaginou uma peça, um produto, e quis que fosse materializado por alguém? E design bem sucedido vai de encontro a isso, é quase uma fantasia materializada. Parece feito sob medida para cada um de nós, mesmo quando produzido em série. 
Sobre a cadeira propriamente dita, podemos atribuir a ela características de uma personalidade, percebe-se sua imponência, sua seriedade. Com esse ar de muito exigente, diria até autoritária, podíamos mesmo, como sugere o crítico alemão Werner Spies em ensaio que compõe a matéria da Serrote, batizá-la de Superego.


Desenho a carvão sobre papel, de Robert Longo. Sem título, ano 2000 

 Freud, designer

 Anna, designer

A cadeira em seu habitat atual, o Museu Freud, em Londres


foto da cadeira criada por Freud e sua filha Anna


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Padarias e azulejos

Adoro padaria pelo simples fato de fazer parte do meu cotidiano, e acho que de quase todo mundo. É lugar dos mais democráticos, e para mim, quase uma hora de recreio diária. É uma alegria instantânea dar uma pausa no trabalho e fazer um lanche, tomar um café. 
Quando esse cliente solicitou a criação da nova imagem para suas padarias, uma marca muito tradicional aqui em Belo Horizonte, com cerca de 30 anos de história, pensei logo nas padarias portuguesas, que são a raiz das padarias brasileiras, e em azulejos: simples, clássicos, práticos, 15x15cm, super duráveis. Tudo isto por um custo excelente. Resolvi abusar deles nas paredes e quando possível até na fachada, como na primeira loja reformada, localizada na adorável praça Marília de Dirceu, em Lourdes. Na segunda a ficar pronta, no Sion, a fachada recebeu brises em alumínio para amenizar a incidência solar nos caixas, e dá-lhe azulejo lá dentro! Além de pedra miracema, luminárias industriais, granito e porcelanato. Numa inovação do cliente, o programa prevê ainda espaço de restaurante para um almoço rápido. Enfim, espaços práticos, funcionais, democráticos, de fácil manutenção e atraentes, ficaram prontos para receber as centenas de pessoas que passam por ali diariamente. Outras lojas estão por vir.


Fachada azulejada da Santíssimo Pão Lourdes 


Santíssimo Pão Lourdes


Santíssimo Pão Lourdes


Santíssimo Pão Lourdes


Santíssimo Pão Lourdes


Santíssimo Pão Lourdes


Planta Santíssimo Pão Lourdes


Santíssimo Pão Sion


Santíssimo Pão Sion



Santíssimo Pão Sion


Santíssimo Pão Sion

Planta Santíssimo Pão Sion

Arquitetura: Manoela Beneti

Fotos: Jomar Bragança